De tempos em tempos volto a falar aqui no blog sobre episódios que se passaram na época do Japão Imperial. As atrocidades que foram cometidas até 1945 são inegáveis, fatos incontestáveis com os quais todos devem aprender, afinal, é para isso que serve o passado, não?

Essa história se passa em 23 de novembro de 1944, um ano antes da rendição japonesa. Em uma vila chamada Mapanique, cerca de duas horas de Manila, capital das Filipinas. Soldados japoneses a invadem com a suspeita que os moradores estivessem acobertando soldados de guerilhas filipinas contra a dominação japonesa no país.

Os homens da vila são torturados e mortos em frente as suas mulheres e filhos. Depois disso, os soldados juntam 91 mulheres e as estupram repetidamente. Isabelita Vinuya, 76 anos, uma das vítimas disse: “Os soldados nos libertam 24 horas depois, não tínhamos roupas e nossa vila estava completamente destruída. Eu tinha apenas 13 anos”.

E é essa história que as chamadas “mulheres de conforto” nas Filipinas, hoje entre 70 e 80 anos de idade resolveram contar através de música
para as novas gerações. "Nós estamos ficando velhas e um dia não haverá mais ninguém para contar nossa história", disse Vinuya, que hoje é uma das cantoras e líderes do grupo chamado "Malaya Lolas", ou Vovós Livres.

Naturalmente muitas vítimas de violência e estupro durante a ocupação japonesa nas Filipinas não quiseram falar sobre o assunto por muitas décadas. Porém, o silêncio acabou em 1997 com a formação do “Malaya Lolas” que então demandava desculpas e compensação financeira do governo japonês.

Agora a “Malaya Lolas” está lançando um DVD chamado “A Música de Malaya - Lamento das Mulheres de Conforto” onde 13 vítimas desse período cantam sobre o tema.

61 vítimas desse episódio em Mapanique ainda estão vivas. É estimado em 200,000 o número de mulheres forçadas a se prostituírem pelo Exército Imperial Japonês,nas décadas de 30 e 40 do século passado.

Sobre a compensação, as vítimas ainda estão esperando. Alas de extrema direita no Japão chegam até a negar que tais atrocidades foram cometidas pelo exército japonês na época e ainda hoje causa tensões sérias (e justas, na minha opinião) entre os países asiáticos.