É uma novela engraçada de se acompanhar. Sol nasce, sol se põe e os EUA e a China trocam farpas. Na proporção que brigam sabem o quanto um é necessário para o outro econômicamente e, no final de tudo, é isso que importa.

A reaproximação dos dois países foi marcada pela chamada "política do ping-pong" com Richard Nixon há 37 anos. Desde então é essa novela sem fim e esta semana teve alguns capítulos interessantes.

Nessa quarta-feira a Câmara de Representantes dos EUA reafirmou seu compromisso com a segurança de Taiwan, em vigor há 30 anos. Ou seja, quem mexer com Taiwan terá de se ver com os americanos. O Ministério de Relações Exteriores chinês disse que o Congresso americano ignorou a posição da China. Ignorou, ignora e vai continuar ignorando para manter sua posição na Ásia, os chineses sabem disso.

No mesmo dia o Pentágono disse que o desenvolvimento militar chinês ameaça o equilíbrio regional. Regional ou americano? Pediu mais transparência dos chineses e o fato ainda é que o investimento chinês nessa área não é nem 20% do americano. Isso porque sua população é maior e divide mais fronteiras com outros países que os EUA.

Então fica assim: os EUA mantém suas posições na Ásia usando como justificativa (entre tantas outras coisas) o crescente poderio militar chinês. Os chineses investem cada vez mais em seu exército dizendo (entre tantas outras coisas também) que é necessário manter sua "integridade nacional", o que inclui a sempre possível guerra contra Taiwan. Enfim, um uso o outro e o outro usa o um para justificar suas ações.

Como resposta ao "desequilíbrio regional", presente do relatório anual da pretensa polícia mundial, o Pentágono, a chancelaria chinesa respondeu: "os EUA precisam perder a mentalidade de guerra fria". Uma boa resposta eu penso.


É necessário lembrar que a tensão militar entre os dois países aumentou no começo desse mês quando navios dos dois países se encontraram em Hainan, território chinês. Os chineses acusaram os americanos de espionagem e, sinceramente, alguém duvida?

Enquanto brigam nesse setor as duas partes sabem que dependem um do outro para sobreviver economicamente, então, a tendência é que continue esse jogo de cartas marcadas, uma grande encenação onde, nenhum dos dois lados, é tão confiável assim.

Comments (1)

On 29 de março de 2009 14:59 , libailong disse...

O roto falando do rasgado e a plateia aplaudindo.