Mesmo com forte repressão os protestos em Mianmar parecem inevitáveis, infelizmente para a Junta Militar que comanda o país há 45 anos. O mais recente aconteceu ontem quando 100 monges de Pakokku, área central de Burma, marcharam pelas ruas e cantaram "Metta Sutta", um mantra budísta sobre o amor.

O protesto pacífico não mostrou nenhum cunho político e, por onde passaram, os residentes locais referenciavam os monges. Depois de uma hora todos voltaram para casa sem problemas, algo espantoso tendo em vista as práticas recentes da polícia local.

Um monge que participou do protesto pacífico contou para a rádio "Voz Democrática de Burma": Nós estamos continuando os protestos do mês passado pois nossas demandas não foram atendidas. O que queremos é menores preços nos produtos, reconciliação nacional e a libertação imediata de Aung San Suu Kyi (líder pró-democracia) e de todos os presos políticos".

Podemos lembrar que, inicialmente, os protestos feitos somente contra um aumento abusivo no preço da gasolina no dia 19 de agosto. A situação começou a se tornar política quando os militares fizeram forte repressão matando alguns e então monges de uma geração mais jovem protestaram com os sacos de esmolas dada pelo governo de cabeça para baixo em um gesto que mostrava a rejeição pelos donativos. Um verdadeiro tapa na cara do governo que sempre se viu como um patrono e protetor do budísmo no país.

Esses novos protestos acontecem em um bom momento, pouco mais de um mês depois da visita do enviado especial da ONU, Prof Gambari, e dias antes de sua próxima visita. Os olhos da comunidade internacional estão virados para o país e todos exigem soluções para essa situação e a Junta Militar, vendo-se em uma situação sem volta, começa a ceder.