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O ex-caminhoneiro e agora diretor James Cameron realmente sabe o que está fazendo, não? Seu nome filme, Avatar, é grande sucesso de bilheteria e, ao menos na China, também virou polêmica.

Acha que o filme foi censurado e os produtores de Hollywood sairam reclamando? Dessa vez não é isso.

Polêmica #01
É o rebatizamento de montanhas localizadas em Zhang Jia Jie, na província de Hunan, de "Coluna Céu Austral" para "Montanha Hallelujah", por ser parecida com as do filme.

Primeiro o governo local disse que produtores de Hollywood passaram alguns dias no local tirando fotos em 2008 e que o cenário do filme portanto foi inspirado nele. Depois negou o fato.

Houve então esse rebatizamento, que agora é taxado somente como um "nome alternativo" e, em pesquisa no portal Sina.com foi extremamente criticado por idolatrarem a cultura ocidental. 54.619 internautas votaram contra essa mudança e apenas 5,897 a favor.

Mas essa polêmica é muito pequena se vermos que Avatar colocou os chineses contra seu filósofo mais influente: Confúcio!

Polêmica #02
Sabemos que também a indústria cinematográfica chinesa é protegida em seu país. Isso leva a censura e cortes de filmes estrangeiros (como efeito colateral os próprios filmes chineses tem de se "adaptar" a certas normas) e a preferência nos cinemas é das produções nacionais. É uma maneira, mesmo que duvidosa, de proteger a indústria nacional e pode ser um grande tiro no pé.

Bom, depois de 20 dias passando nos cinemas chineses com um estrondoso sucesso algumas cópias de Avatar foram tiradas para darem lugar a Confúcio, uma cine-biografia do filósofo com Chow Yun-fat no papel principal.

Apesar das cópias de Avatar tiradas do mercado serem 2D que, como sabemos, não é a melhor maneira de assistir o filme, houve uma grande revolta por parte do público que descontou em quem tirou a super produção hollywoodiana de lá: Confúcio.

Sentimento anti-Confúcio
Com esse sentimento de frustração pela "mão-de-ferro" do governo também na indústria cinematográfica houve campanhas localizadas para boicotar o filme e, mais ainda, manifestações, especialmente na internet, que às produções estrangeiras deveria ser dada as mesmas chances das nacionais e deixar o público decidir qual a que mais agrada na bilheteria.
Confúcio enfrenta um fracasso nos cinemas. 

Em uma pesquisa on-line 67% dos internautas avaliaram Confúcio como ruim. Em outra pesquisa, só com um número maior de participantes, um número aproximado classificou Avatar como excelente.

Sentimento anti-Confúcio
E o que começou como raiva contra o filme acabou atingindo o filósofo. Uma espécie de sentimento do Movimento de 4 de maio ainda presente no país fez com que alguns chineses (re)começassem a dizer que Confúcio e seus ensinamentos são prejudiciais ao país.

Aqui uma pausa. Esse tal 
Movimento de 4 de maio geralmente se refere ao período de 1915-21, embora a demonstração de estudantes que batizou o movimento tenha ocorrido em 1919, onde os manifestantes denunciavam o Confucionismo como malévolo ao país e abraçava os ideais ocidentais de ciência e democracia.

Encerrada a pausa vamos voltar.

Apesar de estar morto há mais de 2.000 anos a figura de Confúcio vem sendo usada na China como um exemplo e, depois do fracasso de demonizá-lo, o PCC (Partido Comunista Chinês) resolveu adotá-lo e apresentá-lo como uma "alternativa" a soluções ocidentais.

O colunista Raymond Zhou do China Daily analisa que essa situação levou a algo inédito no país: chineses falarem mal de Confúcio, algo digno de ser malhado em praça pública um ano atrás. Ou seja, exatamente o efeito contrário que o governo queria. 

E o que Confúcio tem a ver com isso?
Absolutamente nada. Vendo sua figura sendo deturpada junto de seus ensinamentos interpretados conforme o poder da época só pode lhe dar dor de barriga, não é verdade?

Então escrevi tudo isso pra quê? Bom, muitas vezes nossa imprensa (acho que a ocidental em geral) pinta o povo chinês como uma "massa que não pensa" e vítimas coitadas dos mandos e desmandos do governo. E não é inteiramente verdade.

Este artigo é um pequeno exemplo do que acontece na sociedade chinesa que, só no século XX, mudou de governo 3 vezes, e continua nos surpreendendo. Espero que continuem.
O grande pensador chinês Confúcio (551 A.C. - 479 A.C.) nasceu na cidade de Qufu, província de Shandong, no então "país" Lu. Ou seja, quando a China nem era China ainda.

Foi político, professor e, principalmente, filósofo, fundando o "Confucionismo" que influenciou a Ásia inteira. Chegou a ser renegado na própria China nos tempos de comunismo ferrenho, mas nos últimos anos seus ensinamentos voltaram a ser mais divulgados.

Então surgiu a natural idéia de contar a história de Confúcio em filme e o encarregado para viver o filósofo nas telonas foi o ator hong-kongonês
Chow Yun-Fat.

Focado na vida de Confúcio entre 51 e 73 anos de idade o filme acabou de ser filmado essa semana e deve ser lançado no próximo ano novo chinês. Vamos aguardar.
* Divulgação de evento a ser realizado pelo Grupo de Estudos Coreanos da USP.

a ser proferida pelos professores da UCLA
Prof. Robert Buswell e Prof. John Duncan

Quando: 29 de maio de 2008 (quinta-feira), às 10:00
Onde: Sala 260, Prédio de Letras – FFLCH
(Av. Prof. Luciano Gualberto, 403, Cidade Universitária)
Obs.: Haverá tradução

John B. Duncan
Graduado em História pela Universidade Koryo (Seul, 1972) e Ph.D pela Washington University. Atual Chefe do Departamento de Línguas e Culturas Asiáticas da Universidade de Califórnia (UCLA), Membro do Comissão Diretora da Aliança Acadêmica de Estudos Coreanos e Editor-associado do Journal of Northeast Asian History. Autor de The Origins of the Chosôn Dynasty (Seattle: University of Washington Press, 2000); Rethinking Confucianism: Past and Present in China, Japan, Korea, and Vietnam, co-edited with Benjamin Elman and Herman Ooms (Asia and Pacific Monograph Series, UCLA, 2002); Reform and Modernization in the Taehan Empire, co-edited with Kim Dongno and Kim Dohyung (Seoul: Jimoondang International, 2006). Um dos acadêmicos mais atuantes e importantes na area dos Estudos Coreanos nos Estados Unidos é autor de dezenas de artigos.

Robert E. Buswell Jr.
Professor de Estudos Budistas do Departamento de Línguas e Culturas Asiáticas da Universidade de Califórnia (UCLA), director-fundador do Centro de Estudos Budistas e Centro de Estudos Coreanos da Universidade de Califórnia (UCLA). Autor de 14 livros e dezenas de artigos sobre o budismo na Coréia, China e Índia. Cultivating Original Enlightenment: Wŏnhyo's Exposition of the Vajrasamadhi-Sutra, Tracing Back the Radiance: Chinul's Korean Way of Zen, The Formation of Ch'an Ideology in China and Korea, and The Zen Monastic Experience: Buddhist Practice in Contemporary Korea. Considerado o acadêmico ocidental mais eminente sobre o budismo coreano, e um dos especialistas mais importantes da tradição do Zen da Ásia Oriental. Editor-chefe da Encyclopedia of Buddhism (Macmillan Reference, 2004) em 2 volumes e Dictionary of Buddhism (Doubleday), no prelo, com 1 milhão de verbetes. Monge por 7 anos na Tailândia, Chinea e Coréia antes de se tornar acadêmico. Eleito Presidente da Associação dos Estudos Asiáticos (AAS) para o period 2008-2009.

Realização: Center for Korean Studies - UCLA
Organização: Grupo de Estudos Coreanos - USP