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A novela entre China e Taiwan continua mas o fato é que os dois lados estão cada vez mais próximos, especialmente com essa crise onde os chineses podem ajudar os taiuaneses. Vôos diretos foram inaugurados, incentivos para as empresas taiuanesas a entratem na China e encontros diplomáticos com mais regularidade foram estabelecidos.

Pois em um reunião entre os dois lados para decidir se Taiwan será representada na Organização Mundial de Saúde (OMS), Beijing propôs uma representação conjunta. O presidente taiuanês Ma Ying-jeou, entusiasta dessa aproximação no estreito, já freou. Aí é demais, ao menos por ora.

Imagens que o mundo não esquecerá tão cedo e que é usada constantemente contra o governo chinês. Exatos 19 anos atrás Deng Xiao Ping pediu mais dureza contra os manifestantes que estavam na Praça da Paz Celestial, em frente a Cidade Proibida em Beijing.

Não há dúvidas que a China cresceu nos diversos aspectos nesse tempo, inclusive no acesso à informações. Interessante também é notar que a visão dos outros países sobre a China também mudou bastante.

Um exemplo é do atual presidente taiwanês, Ma Ying-jeou. No aniversário de maioridade da repressão em Tian'Anmen Ying-jeou criticou a China por continuar a repremir a liberdade de imprensa, pela falta dos direitos humanos e de, constantemente adiar a democratização. Talvez ele se referia aqui à democratização de Hong Kong.

Neste ano Ying-jeou, que se elegeu dizendo que irá se esforçar para reatar os laços da ilha com o continente, apenas afirmou: "A China registrou avanços desde que iniciou sua abertura e reforma, há 30 anos".

Assim como ele muitos países abrandaram suas críticas à falta de direitos humanos na China e, não por acharem que realmente houve melhora, mas por simples receio de estragar suas relações com essa grande potência econômica.
Um encontro histórico aconteceu no último sábado quando o vice-presidente recém eleito de Taiwan, Vincent Siew, se encontrou com o presidente chinês Hu Jintao. Esse encontro não acontecia há 60 anos.

Siew irá ser assumir o governo com Ma Ying-jeou apenas no dia 20 de maio mas seu governo já começa a fazer esforços para melhorar sua relação com Beijing. Esse breve encontro aconteceu em Hainan, durante o Fórum Econômico Internacional e, aparentemente, deve entrar para a história como um marco.

Siew disse esperar que essa reunião aprofunde o entendimento dos dois lados do estreito e que crie uma base de confiança mútua. Hu Jintao também declarou: "Nesta ocasião, fiquei satisfeito de trocar opiniões sobre economia com o senhor Siew".

Os esforços de reaproximação de Ma Ying-jeou devem aumentar ainda mais depois da posse e esse encontro é bem vindo por Beijing em tempos de crise.
Os governantes chineses já podem dormir em paz. Na quarta eleição de Taiwan o candidato do Kuomitang (KMT), Ma Ying-Jeou, ganhou de Frank Hsieh, do DPP, partido de Chen Shui-Bian, na corrida presidencial.

A diferença não foi tão grande: 58% contra 42%. Em seu discurso de vitória Ying-Jeou disse que sua eleição é o resultado de um grande desejo de mudança. Mais alinhado com a política de Beijing Ying-Jeou prometeu estabelecer vôos diretos no estreito de formosa, diminuir as restrições aos investimentos na China (mesmo com essas restrições Taiwan já é um dos maiores “investidores estrangeiros” na China) e incentivar a criação de um “mercado comum”.

Aquele papo de independência não faz parte do discurso de Ying-Jeou, mas e o resultado dos referendos que podem dar certa ambigüidade à presidência do Kuomitang? Foram ignorados completamente, o número de participantes não foi suficiente nem para validá-lo. Um fracasso completo para o DPP.

Vitória
Apesar de Ma Ying-Jeou já ter sido apontado como vencedor dessa corrida através de pesquisas sua vitória se deve mais ao fraco desempenho econômico de Chen Shui-bian, do DPP, em seus 8 anos na presidência.

O sentimento de mudança já estava no ar desde janeiro nas eleições legislativas quando o KMT elegeu 81 dos 113 assentos do Parlamento.

Durante os anos 90 Taiwan era apontado como um dos líderes do seleto grupo chamado “tigres asiáticos”, mas assistiu sua economia retroceder nos últimos anos. Portanto, a eleição de Ying-Jeou e sua sintonia com Beijing é muito devido à uma abertura maior do mercado chinês para os taiuâneses. Assim, há a esperança de sua economia voltar a crescer.

Desde o dia 14 de março, quando estourou os protestos no Tiebete, Frank Hsieh e o DPP viram uma oportunidade de diminuir a diferença apontada nas pesquisas (e confirmada nas urnas) reforçando a visão de uma China opressora. Não deu certo, a grandeza do mercado chinês venceu tal temor.

Apesar da geração atual se sentir cada vez mais “taiuânesa” e menos chinesa, já que aqueles que saíram da China e foram morar lá estão morrendo, eles também entendem que a ilha precisa continuar a crescer e vêm no mercado chinês essa possibilidade.

Portanto os governantes de Beijing irão dormir mais sossegados a partir de agora, não que a oposição e as idéias de independência estejam mortas, mas parecem ficar cada vez mais distante.

Abaixo segue o link de uma reportagem feita pela Rádio e televisão de Portugal:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=334945&tema=31