Em meio a essa crise pode ser muito chato falar sobre ela, especialmente quando não a entende tão bem assim. Mas, por mais que tente escapar não é possível: ela está em todo lugar. Porém, apesar da crise, e também por causa dela, a China se tornou o maior comprador dos produtos brasileiros, desbancando os EUA.

Na relação entre os dois países o Brasil havia ficado com déficit durante 5 meses seguidos, revertendo a situação somente no mês de março. Se olharmos o que o Brasil vendeu: minério de ferro, soja, aviões e açúcar, não é preciso entender muito pra ver que esse quadro não é sustentável em longo prazo. Vale também dizer que os chineses só assumiram esse "honroso" 1º lugar porque os americanos passaram a comprar menos, basta dizer que o valor comprado corresponde a 79,3% do mesmo período de 2008.

Sobre o BID
É uma notícia velha mas vale dizer: com US$ 350 milhões a China se tornou o 48º país integrante do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID.

Ainda no assunto, a China é o terceiro país asiático a compor o BID, sendo os outros dois, você acertou, Japão e Coréia do Sul. Na ocasião o Banco Popular da China (que, em termos absolutos de clientes não sei se é tão "popular" assim), declarou: "A China quer esforçar em construir com os países latino-americanos e caribenhos relações de parceria em todos os setores, com igualdade e benefício mútuo. Os intercâmbios políticos e o aumento do comércio dos últimos anos provam isto".

O montante será usado em linhas de crédito à países pobres e etc. Mas é mais uma participação diplomática do que qualquer coisa. Aos poucos a China vai se firmando em todos os cantos do mundo para garantir seus interesses e se apresentam como uma "alternativa" aos EUA.

Vamos negociar em yuan?
(Ou na "moeda" do povo, renminbi, se preferir). Sim, vamos!
O Governo Chinês já sugeriu a criação de uma "moeda internacional" (que, sugiro, chame-se "Esperantus"; assim promete decolar como aquela língua falada em cada esquina desse admirável mundo) como alternativa ao dólar. Muitos países concordam com isso por interesses de usar sua própria moeda em relações binacionais. A China quer distribuir suas notas com Mao Zedong por toda Ásia, e o Brasil suas espécies de extinção aqui na América Latina.

Enfim, é uma idéia que parece bacana, mas não acredito que irá pegar tão cedo. Penso isso mais por ignorância mesmo.

Logo na primeira reunião do BID que participou os chineses colocaram os dois pés da porta. Disseram aos argentinos: "Hermanos, suas empresas agora terão 70 bilhões de yuanes (equivalentes a 37 bilhões de pesos ou US$ 10 bilhões) em linhas de crédito para comprar de nós". Não brincam em serviço.

E neste momento cabe a "anedota": Brasil e Argentina, se não me engano, somente no ano passado começaram a negociar em moedas locais. Isso porque são os principais integrantes do Mercosul, vizinhos, etc.

E o Brasil?
Quando os argentinos fizeram o tango, viemos com a bossa nova. Quando nós tivemos Pelé, eles vieram com Maradona. É uma relação meio estranha, não? E, no caso de negociar em yuan, os brasileiros ficaram com "inveja" e Lula já propôs o mesmo conosco.

A idéia foi lançada na reunião do G-20 ao presidente Hu Jintao e deve ser aprofundado e discutida na próxima visita do "cara" ao dragão asiático em maio e, até lá seus respectivos BC's (entenda-se Banco Central) poderão estudar melhor. O interesse desses dois países me parecem "casar" muito bem nesse momento mas, sabemos que, ao contrário do que pensa muito gente em nosso governo, falar não É igual a fazer. Então, apesar da convergência de idéias é bem capaz dela emperrar e permanecer no papel. Ao menos não estou gastando papel pra escrever essas linhas, só energia mesmo.

Um pequeno glossário para (possivelmente) se aprofundar no assunto:
- Banco Interamericano de Desenvolvimento;
- Banco Central do Brasil;
- Banco Popular da China;
- Ampliação do comércio com moeda local é bem recebida;

Comments (2)

On 8 de abril de 2009 00:35 , Tami disse...

China vai dominar o mundo! O.o

ficamos felizes ou receiosos?

 
On 8 de abril de 2009 21:36 , Luiz Barretto disse...

Que a influência chinesa vai aumentar não há dúvidas, mas, não colocaria como algo bom ou ruim, acho que são os dois, eu diria que nos adaptaremos somente.