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Já nem se pode considerar estranho, mas também não deixa de ser.

Em uma pesquisa realizada na terra do sol nascente com homens na casa dos 20 anos foi perguntado: "Você teria algum relacionamento com um personagem de animé ou video-game?". Bom, 20% responderam "sim"!

E mais de 50% desses 500 entrevistaram admitiram que ao menos uma vez já "ansiaram" por alguns relacionamento com essas personagens.

Vendo o "exagero" de formas dessas personagens até dá para entender de certa forma. Mas algo está acontecendo nesse país cuja taxa de natalidade vem caindo e sua população idosa só aumenta.

Ainda nessa mesma pesquisa 63,8% dos homens admitiram não tomar iniciativa para namorar uma garota. Vendo uma outra pesquisa, dessa vez com as mulheres, onde 50% classificou como "impensável" o casamento com um homem que tenha um salário mais baixo que o delas, é de se pensar nos motivos da população do país só diminuir.
A política do “filho único” foi estabelecida no começo dos anos 70 pelo Governo Chinês e, segundo estatísticas, evitou o nascimento de 400 milhões de crianças. Podem ser considerados números importantes no combate ao aumento populacional, mas tem seus efeitos colaterais e pode ser um "tiro no pé" no campo econômico.

Se essa política tem como objetivo impedir uma explosão demográfica maior é porque, até então, as famílias chinesas tinham 4, 5 filhos e mudar isso não é fácil. No começo dos anos 70 a fertilidade das mulheres era de 5,8 e atualmente é de 1,7.

A restrição que essa lei impôs levou muitos casais a não registrar seu primeiro filho ou, por questão cultural especialmente no interior do país, abandonar se for menina. Vale lembrar que são os filhos que levam o nome da família adiante e são eles que têm a obrigação de cuidar dos país quando estes envelhecem, daí a preferência por meninos.

Como resultado atualmente há uma disparidade entre homens e mulheres, a proporção é de 106 homens para 100 mulheres. A queda de fertilidade das mulheres chinesas também causou um envelhecimento da população o que pode trazer problemas econômicos em um futuro não tão distante e isso preocupa as autoridades chinesas.

Segundo a vice-ministra da Comissão de Planejamento Familiar e População Nacional, Zhao Baige, o governo chinês já começa a pensar em uma revisão da política do “filho único”. Não há previsão para mudanças e nem se sabe como serão feitas, mas a anulação da lei já está descartada.

Para a mudança nessa lei há três aspectos que o governo chinês vai levar em consideração: recursos humanos, proteção social e os costumes.

A área fértil do país é muito pequena e poderá não garantir alimento para todos. Com isso, terá de importar cada vez mais alimentos, gastando mais dinheiro. O governo chinês já tem programas de investimento na tecnologia agrária e quem anda pelas estradas do país vê plantações que disputam lugar com o asfalto.

Dentro desse assunto ainda tem de se considerar que a migração para cidades aumente anualmente, pois os salários no campo são três vezes menores que o da cidade. No plano qüinqüenal o governo contempla mais ajuda para a população rural e terá de se esforçar mais ainda para manter trabalhadores nesse setor e alimentar o país.

A proteção social chinesa ainda não consegue cobrir toda população sendo muitas pessoas colocadas à própria sorte. Uma tendência que está despontando é da previdência privada. Mas o que se teme com o envelhecimento da população é que tenha mais aposentados do que trabalhadores ativos e então a situação fica insustentável.

E, os costumes de cada região também têm de serem levados em consideração. Alguns grupos étnicos já são permitidos ter mais de um filho, na zona rural também. Mas Zhao Baige destaca que em regiões como Henan que tem mais de 100 milhões de habitantes, a política do “filho único” é necessário, pois o meio-ambiente local é frágil.

Mas uma pesquisa poderá ajudar a traçar o futuro dessa lei. Ela apontou que 60% dos chineses com menos de 30 anos querem no máximo 2 filhos e muitos poucos querem mais de 3. Essa é uma tendência do mundo atual e se faz valer também na China.

Estatísticas oficiais prevêem que o auge da expansão populacional chinesa ocorrerá em 2033 quando atingirá 1,5 bilhões de habitantes, depois disso o número deve começar a cair. Uma lei com mais de 30 anos já pode e deve ser revista não somente para o bem da população, mas para o bem do país como um todo.
A capital do país de maior população do mundo obviamente, enfrenta problemas populacionais. Nesse exato momento Beijing tem mais de 17.4 milhões de pessoas. Em um estudo feito alguns anos atrás a previsão para 2020 era que a cidade tivesse cerca de 18 milhões de habitantes. Parece que a previsão estava errada, estudos atuais apontam para 21.4 milhões.

Do número atual de habitantes 12 milhões são moradores permanentes e o resto é de migrantes. E é justamente o número de trabalhadores que vão para lá em busca de trabalho que aumenta a população de maneira que a cidade pode até não agüentar.

A pressão para serviços de moradia, de água, de comida, o conseqüente maior impacto ambiental já é mais que uma preocupação para o Governo de Beijing. De janeiro à outubro desse ano 130.000 bebês nasceram, sendo 40.500 deles de migrantes. Alías, o ano do porco é especialmente almejado por casais que querem ter filhos por remeter à riqueza.

Segundo estudiosos nos anos 80 houve um grande crescimento de nascimentos em Beijing e agora essa geração está em seu período fértil, o que contribui bastante. Além disso, casais que são ambos filhos únicos tem o direito de ter até dois filhos e isso ajudará a aumentar a população local.

Estudos apontam que a população de Beijing devia ficar abaixo de 17 milhões, sendo que a somatória da cidade, mais Tianjin e a província de Hebei deveriam ficar abaixo de 110 milhões de pessoas. Isso parece cada vez mais distante, mas no Fórum de Desenvolvimento Populacional de Beijing essas três áreas concordaram em cooperar a fim de reduzir os impactos e achar soluções. Será que as ações governamentais conseguirão acompanhar o ritmo de tal crescimento?