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Matéria do Jornal da Globo sobre o encontro dos BRIC em Brasília que foi encurtado pela volta urgente de Hu Jintao para a China após o terremoto de Qing Hai.



Vale também conferir o Memorando de Cooperação entre o BNDES, China Development Bank Corporation, Export-Import Bank da Índia, e State Corporation Bank For Development and Foreign Economic Affairs (VNESHECONOMBANK) emitido após o encontro.

- Objetivos:

a) desenvolver cooperação de longo prazo entre as Partes a fim de facilitar e dar suporte a transações transfronteiriças e projetos de interesse comum;
b) fortalecer e alavancar as relações comerciais entre os países do BRIC e suas empresas;
c) organizar um plano voltado para prover serviços bancários e financeiros para projetos de investimentos que possam ser mutuamente benéficos, assim como encorajar o desenvolvimento econômico dos países do BRIC;
d) estudar a possibilidade de organizar uma entidade interbancária entre as Partes a fim de concretizar os objetivos estabelecidos aqui. 

- As Partes cooperarão para financiar, co-financiar ou garantir projetos de investimento, caso a caso. 
- As seguintes áreas oferecem potencial de sinergia e possibilidades de cooperação:
a) troca de informações sobre projetos com foco em infraestrutura, energia, indústrias-chave, indústrias de alta tecnologia e setores voltados para a exportação, assim como projetos socialmente importantes dos BRICs e projetos regionais de significância;
b) assistência mútua nos mercados locais pela troca de informações e experiências;
c) treinamento de pessoal, organização de visitas de delegações e simpósios de negócios e workshops;
d) condução de estudos e propostas de iniciativas voltadas para o fortalecimento e avanço do comércio e relações econômicas entre os países do BRIC.

- Para alcançar os objetivos, as Partes podem organizar consultas regulares e reuniões anuais.

- Tais reuniões focarão, em princípio, na seguinte agenda:
a) organização de estudos sobre, mas não limitados a, desenvolvimento regional, redução da pobreza, leis do mercado financeiro, mudança climática e questões de meio ambiente, inovação financeira e mecanismos de apoio à internacionalização de companhias;
b) troca de informações sobre infraestrutura, energia, indústrias-chave e setores voltados para a exportação;
c) provisão de assistência mútua em áreas de prática operacional;
d) troca de informações e experiências sobre padrões de procedimentos e mecanismos financeiros bem sucedidos adotados pelas Partes, incluindo o apoio à exportação de bens e serviços;
e) proposta e organização de treinamentos em atividades, habilidades, estágios, visitas de delegações e simpósios de negócios;
f) promoção de estudos de relevância e discussões relacionadas à constituição da associação interbancária mencionada acima.

- As Partes podem intercambiar informações para benefício mútuo. Essas informações podem incluir planos estratégicos relacionados ao país, setor, desenvolvimento regional, estudos ou materiais relacionados a projetos ou programas. Elas poderão tomar forma em seminários, conferências, fóruns de negócios e outros eventos.

- O Memorando não procura criar qualquer obrigação ou dar direitos. Também não prevê qualquer comprometimento legal ou financeiro entre as Partes.

- Entra em vigor na data da assinatura.

- Duração: 5 anos com renovação automática.

Ao mesmo tempo também vale a pena conferir um resumo que o portal Terra fez sobre a matéria do The Economist que diz Bric é incapaz de fazer mudanças significativas. E, devo concordar em diversos apontos da matéria mas creio que, em última análise, é muito melhor ter o BRIC, assim como o IBAS porque, sem dúvida nenhuma são as nações que terão grande relevância em um futuro próximo, assim como desafios sociais gigantes. Não há dúvidas que esse diálogo é necessário.

O presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva afirmou na semana passada que pensa, já para o ano que vem, na padronização monetária nas relações comerciais com a Rússia, China e Índia. Ou seja, deixa-se de utilizar o dólar para se usar a moeda local.

Isso já é feito hoje entre Brasil e Argentina e também entre a os chineses e argentinos. Dá para ser feito, e, também pode servir como o prometido aumento da influência do desvalorizado yuan.
É óbvio, se pararmos para pensar.

Mas segundo estudo da consultoria
A.T. Kearney, graças à crise financeira, o quadro está mudando.

Em 2008 os quatro primeiros países a atrair mais redes varejistas foram:
1º Vietnã

2º Índia
3º Rússia
4º China

Em 2009 são:
1º Índia
2º Rússia
3º China
4º Emirados Árabes Unidos

O Vietnã caiu para o 6º lugar e a Malásia aparece em 10º. O Brasil ficou em 8º lugar pela primeira vez esse ano e entra aí por gastar com vestuário cerca de 450 dólares por ano, 6 vezes que a China, por exemplo.

Mas o fato do RIC, do BRIC, estar nas três primeiras colocações quer dizer alguma coisa, não é verdade?
Eis o resultado de uma pesquisa feita pela Brand Z sobre as 100 marcas mais valiosas do mundo:

1º Google US$ 100,039 bilhões
2º Microsoft US$ 76,249 bilhões
3º Coca-Cola US$ 67,625 bilhões
4º IBM US$ 66,622 bilhões
5º McDonald’s US$ 66,575 bilhões
6º Apple US$ 63,113 bilhões
7º China Mobile US$ 61,283 bilhões
8º GE (General Eletrics) US$ 59,793 bilhões
9º Vodafone US$ 53,727 bilhões
10º Marlboro US$ 49,460 bilhões

Como podemos perceber há uma "estranha" no ninho: a China Mobile. Nem tão estranha assim já que marcas do BRIC estão aumentando nessa lista somando 8 no total. Uma tendência natural que, no Brasil, é representada pelo Bradesco, que aparece em 98º lugar.

Há também uma lista por regiões e na Ásia fica bem claro o avanço chinês: já são 4 o número de empresas chinesas nessa lista.



Já que falei dos planos do Bradesco na Ásia agora é a vez do concorrente, Itaú (2º maior banco privado do Brasil). Hoje o banco já conta com seis profissionais no Japão e, através de um acordo com a empresa local Daiwa Securities começará a vender no país 2 fundos de investimentos para a América Latina.

São eles: um fundo de ações de empresas latino-americanas e o outro uma carteira de de renda fixa com ativos brasileiros. Uma ação muito parecida com o Bradesco, conforme vocês podem ler no post anterior.

E o fato é que o Itaú vai direto para o centro da Ásia quando se fala de fundos de pensão. O Japão é o segundo maior mercado do mundo de fundos de pensão com 3 trilhões de dólares em ativos e outros 7 bilhões nas mãos do varejo investidos em forma de renda fixa.

Até o final deste ano o banco já anunciou que irá abrir uma filial em Beijing e Cingapura. E o interessante é que o Itaú, através da 'sub-empresa' Itaú Securities, será a primeira corretora de valores dos BRIC's (que, nunca é demais lembrar, é composto por: Brasil, Rússia, Índia e China) a abrir uma filial na terra do sol nascente.