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Afim de restringir o acesso às imagens e outras informações sobre os protestos no Tibete o Governo Chinês bloqueou o acesso ao site YouTube e a versão online do site britânico The Guardian, depois desses terem recebido vídeos amadores do protestos e outros conteúdos que não estão de acordo com a visão oficial de Beijing.

A atitude não é nova. Em outubro no ano passado, durante 17º Congresso do Partido Comunista que se realiza de cinco em cinco anos, o Youtube também foi bloqueado para ser liberado logo depois.
Os chineses como regra, estão ficando mais ricos, estão conhecendo outros países, descobrindo que o capitalismo pode ser bom e que eles são bons nisso. Então, eles querem cada vez mais e é natural que assim seja. Estão mais conscientes do sistema em que vivem e, se algo os afeta, irão protestar.

As potências ocidentais reclamam da falta de liberdade na China, dos direitos humanos e, principalmente, do senso não democrático. Mas, o Partido Comunista Chinês não parece se importar tanto com a opinião de outras potências, mas sabem que, se os preços do arroz, da carne de porco, de moradia chegar a níveis muito altos eles estarão em uma enrascada.

Por isso, gradualmente, os líderes chineses apontam para uma reforma política e nesta quarta-feira a imprensa divulgou os próximos passos que serão dados.

A idéia do PCC é de formar quatro “superministérios” que absorverão muitos órgãos do governo e serão os encarregados de orientar o sistema econômico. A idéia também é diminuir a conhecida burocracia e acelerar o processo de decisão e de ação.

Segundo o jornal Ta Kung Pao os “superministérios” serão encarregados de energia, indústria, transporte e meio-ambiente. Segundo alguns políticos chineses isso é apenas mais um passo rumo à uma reforma maior que incluirá mais influência ao Parlamento do país. Mas, para quem está pensando que isso quer dizer o fim do sistema unipartidário eu aconselho tirar isso da cabeça. Não somente segundo políticos, mas também cidadãos comuns o PCC é o pilar do desenvolvimento e da estabilidade do país.

Mais do que qualquer analista político ou qualquer governo de outro país o PCC sabe que reformas são necessários para, ao menos, acalmar o povo. Em um ato raro a ata da reforma publicada admite que há insatisfação popular com o governo. Acrescenta que o controle do Partido Comunista é essencial, mas que o Parlamento e autoridades não-comunistas devem ser ouvidas.

Segundo especialistas outras reformas devem ser feitas ainda este ano, pois os olhos de todo mundo estão voltado para eles e porque marca os 30 anos do Congresso onde Deng XiaoPing iniciou as reformas do país.
E encerrou nessa segunda-feira, depois de 8 dias, o 17º Congresso do Partido Comunista Chinês.

Como já era esperado e muito comentado: o Comitê Permanente do Politburo do PCC deu nesta segunda-feira um novo mandato, de 5 anos, para o atual Presidente Hu Jintao. Ele continuará a exercer o cargo de Secretário geral do PCCh, Presidente da China e Chefe Militar.

Além disso também foram reeleitos: Wu Bangguo, presidente do Comitê Permanente da Assembléia Popular, Wen Jiabao, Primeiro-Ministro, Jian Qinglin, presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), e Li Changchun, membro do Comitê Permanente do Politburo.


Mas vamos agora falar sobre as mudanças que aconteceram no 17º Congresso do Partido Comunista que aconteceu nas saídas de Luo Gan, de 72 anos, Wu Guanzheng, de 69 anos e do 'inimigo' de Hu, Zeng Qinghong, 68 anos.

Agora a nata, da própria nata chinesa (já que são 73 mil os componentes do partido) é composta por:

- Hu jintao, 65 anos;
- Wu Bangguo, 66 anos, chefe do legislativo;
- Wen Jiabao, 65 anos, Prêmier;
- Jia Qinglin, 67, Chefe da Secretaria Política mais influente do país;
- Xi Jinping, 54 anos, Secretário do Partido;
- Li Keqiang, 52 anos, Vice-Prêmier;
- Li Changchun, 63 anos, Secretário do Setor de Propaganda;
- He Guoqiang, 64 anos, Secretário do Setor Anti-corrupção;
- Zhou Yongkang, 65 anos, Secretário do Setor de Segurança.

Ainda há chances de um mudar para outra Secretaria, mas os membros serão esses.

Analistas não têm dúvida ao afirmar que o Presidente Hu Jintao foi o grande 'vencedor' no Congresso. Isso porque dois dos novos integrantes do Politburo são protegidos pelo Presidente: Xi Jinping, que era secretário-geral do partido em Shanghai, e Li Keqiang que era o chefe na província de Liaoning. E eles deverão brigar pela sucessão de Hu Jintao em 2012.

O Congresso ainda votou e adotou em sua constituição o novo slogan feito por Hu durante a semana: "desenvolvimento cientista sustentável", significando um crescimento rápido porém sustentável da economia. Isso dá uma idéia de como Hu saiu fortalecido.

A grande briga era entre a "ala jovem", comandada por Hu, e o "grupo de Shanghai", comandado pelo ex-presidente Jiang Zemin e que lutavam para colocar seus indicados no Comitê Permanente de Politburo e, consequentemente, na escolha da 5ª geração de líderes do país.

No entanto, o PCC não apresentou nenhuma grande mudança em sua linha política e econômica que deverá manter nos próximos 5 anos a valorização do campo, conforme definido no último plano Quinquenal.
Outro assunto importante que foi levantado pelo Presidente Hu Jintao e de certa maneira foi surpreendente, é justamente um diálogo com Taiwan. Conforme estamos acompanhando no dia 10 deste mês Taiwan fez um grande parada militar exibindo suas armas para o mundo, tentou se filiar a ONU como um país independente (o 15º processo frustrado). Ms nem um lado nem outro parece arredar o pé de suas posições tão facilmente.

Então, vamos conversar sobre o que está acontecendo no momento. Hu Jintao em seu discurso nessa 2ª-feira disse querer dialogar com os líderes de Taiwan para que se faça uma "reunião pacífica". E os termos de negociação de Beijing é bem claro: reconhecer que só há uma China.
Hu disse que "1,3 bilhão de pessoas no continente e 23 milhões de taiuaneses formam uma comunidade com o mesmo destino por consangüinidade" e disse que qualquer problema com esse assunto deve ser submetido à decisão de todo o povo chinês. Mas, se considerarmos a população dos dois lados do estreito, não é difícil imaginar quem ganharia num caso de voto popular.

O outro lado é do Presidente taiuanês, Chen Shui-bian, que, junto com a vice-presidente, Annette Lu, expressaram a disponibilidade de negociar a paz, desde que não se parta do princípio de uma só China. Sobre isso, leia a entrevista com Annette Lu que divulgamos aqui anteriormente: http://giganteasia.blogspot.com/2007/09/para-quem-nasceu-aqui-taiwan.html. Além disso exigiu que a China retire seus mísseis apontados para a ilha, alegando que não seria exatamente uma negociação com armas apontadas para eles, e que a lei anti-secessão, que torna legal a invasão da ilha seja revogada.

Um analista taiuanês, Chen Yuchun, avalia que Hu Jintao não precisa ser duro com Chen pois conseguiu recentemente contê-lo através de diplomacia com EUA, o maior parceiro da ilha. Por exemplo, no mês passado o Partido Progressista Democrático, de Chen, decidou não aprovar uma resolução que mudava de uma vez o nome oficial de Taiwan: República da China.

Apesar de propostas pela paz não serem novas entre as duas partes Annette Lu clamou para que os líderes de Taiwan pensem seriamente sobre a proposta de Beijing, afinal, não se pode desperdiçar qualquer discussão pela paz.